Investimento no Exterior: BDR’s X Stocks?

Nesses últimos dias, o mercado financeiro ficou bem agitado após a CVM (Comissão dos Valores Mobiliários) permitir que qualquer investidor possa negociar BDR’s (Brazilian Depositary Receipts) que são valores mobiliários emitidos no Brasil, que possuem como lastro, ativos (geralmente ações), emitidos no exterior e que antes, eram restritos somente para investidores qualificados, ou seja, aqueles que tivessem investidos mais de R$1 milhão. Dessa maneira, se o investidor com menos recursos quisesse investir no exterior, teria que abrir conta em uma corretora internacional que aceitasse investidores estrangeiros e fazer seus investimentos diretamente (Stocks). Mas o que é melhor, investir em BDR ou direto no exterior? Abaixo vou listar as vantagens e desvantagens de investir em BDR ou diretamente no exterior. Vantagens de investir em BDR A principal vantagem de investir em BDR é a facilidade. Você pode comprar os ativos diretamente na conta que você já tem aqui no Brasil. Outra vantagem é que você opera tudo em reais, sem se preocupar com a variação cambial e também não pagará taxas de remessas de valores para o exterior. Por ser ativos no Brasil, a declaração de imposto de renda é mais simples. Resumindo as vantagens de investir em BDR: Investir pela corretora que já tem conta, Todas as operações em reais, Declaração de imposto de renda é mais simples, Não tem custos com transferências de recursos para o exterior. Desvantagens de investir em BDR Como o BDR é emitido por uma instituição depositária, é preciso que alguma se interesse por emiti-lo. Isso faz com que o número de BDR’s disponíveis seja menor do que você teria disponível, se fosse investir direto no exterior. Outra desvantagem é que você não é efetivamente sócio da empresa, já que você está comprando um ativo que representa uma ação ou um ETF (Exchange Traded Funds, que são fundos que replicam o desempenho de índices e que são negociados em bolsa de valores, como se fossem ações de uma empresa). As instituições emissoras dos BDR’s aqui no Brasil ficam geralmente com 5% dos dividendos. Outra desvantagem dos BDR’s é que sua liquidez é bem menor que a liquidez das ações propriamente ditas. Resumindo as desvantagens de investir em BDR: Baixo número de BDR’s disponíveis (em comparação com negociação direta no exterior), Ter BDR não o torna sócio, Taxa de 5% nos dividendos do BDR, Menor liquidez. Vantagens de investir direto no exterior A principal vantagem de investir diretamente no exterior é que você tem acesso a uma infinidade de ativos, já que não é dependente de uma instituição depositária. Outra vantagem é que seu patrimônio estará em dólar ou outra moeda e por estar fora do Brasil, seu capital estará protegido da concentração ou possível instabilidade econômica no Brasil, Resumindo as vantagens de investir direto no exterior: Sem limitação de acesso a ativos (em comparação com a dependência nas instituições depositárias) Patrimônio em outra moeda, fora do Brasil. Ativos com liquidez Sem taxa extra sobre os dividendos (cobradas pela instituição depositária nos BDR’s) Desvantagens de investir direto no exterior Existe o processo de envio que tem custo de spread, taxas e IOF. Outra desvantagem é que o processo de declaração de imposto de renda é mais complexo e trabalhoso. Você também precisa levar em consideração os ganhos da moeda ao calcular os ganhos na venda. Nos EUA, caso você tenha um patrimônio acima de US$ 60 mil, estão sujeitas as leis de imposto sobre herança caso venha a falecer. Resumindo as desvantagens de investir direto no exterior: Incidência de taxas, IOF e custos de spread para o enviar o capital, Processo de declaração mais complexo, Imposto sobre herança acima de 60 mil USD. Enfim, então qual é a melhor opção? Investir em BDR ou direto no exterior? Isso depende de cada investidor. Você precisará levar em consideração os prós e contras de cada opção e escolher a melhor opção para você. Independo de qual escolher, a diversificação internacional é importante para um portfólio balanceado.

O que é o dividend yield?

Muita gente entra no mercado de ações apenas para lucrar com as oscilações dos preços dos ativos. Porém, existe um perfil de investidor que almeja ganhar também com o pagamento de proventos. Isso quer dizer que ele não se preocupa apenas em comprar na baixa e vender na alta, mas também em receber parte dos lucros da empresa emissora do ativo. Esses lucros são distribuídos aos acionistas por meio do pagamento de dividendos e juros sobre capital próprio. O dividend yield, rendimento de dividendos em português, é justamente a relação entre esses proventos pagos pelas empresas e o preço dos papéis. Para que serve essa métrica? Esse indicador serve para mensurar a performance de uma companhia em relação ao pagamento dos proventos. Por meio dele, é possível estabelecer uma relação entre os dividendos distribuídos ao longo de 12 meses e o preço atual da ação da empresa. O DY serve para que o investidor consiga ter uma ideia de quanto determinada empresa poderá vir a pagar em proventos nos próximos 12 meses, analisando o que foi pago no mesmo período anterior. Com base nisso, é possível avaliar se o investimento é ou não vantajoso do ponto de vista dos dividendos. Como calcular o dividend yield de uma ação? Calcular o dividend yield de uma ação é bem simples e não exige nenhum cálculo completo. Para encontrar o indicador, basta dividir os proventos pagos por ação pela empresa nos últimos 12 meses pela cotação atual dos papéis da companhia. A fórmula é a seguinte: Dividend yield = valor dos proventos (dividendos ou JCPs) por ação ÷ cotação da ação × 100 Vejamos um exemplo para ficar mais claro: imagine que uma empresa pagou R$ 2,00 por ação nos últimos 12 meses e, atualmente, sua ação esteja valendo R$ 20,00. Seu dividend yield seria de 10%. Caso um investidor tivesse adquirido 200 ações desta empresa por R$ 20,00 cada, com o investimento de R$ 4.000,00, teria recebido cerca de 400 reais em proventos, ou seja, 10% do investimento inicial. Como interpretar o DY? Apesar de o cálculo ser fácil, a análise do resultado pode ser um pouco mais complexa. Com base nas informações acima, podemos notar que quem busca por empresas que paguem bons proventos, deve ficar de olho nas companhias que possuem os maiores valores de dividend yield. O DY varia de acordo com a oscilação dos preços das ações e também conforme o total de dividendos pagos no período. Dessa forma, se o preço da ação cair, o dividend yield irá subir. E quanto maior o dividend yield, melhor para o investidor. Entretanto, é importante ter em vista que o dividend yield pode estar distorcido por conta de lucros que não sejam recorrentes. Por isso, o DY não deve nunca ser considerado de forma isolada, mas deve ser analisado levando em conta a procedência e recorrência dos dividendos, o payout (percentual do lucro que é distribuído entre os acionistas), a rentabilidade da empresa e suas margens. Pode acontecer também de uma empresa com prejuízos pagar bons proventos com o objetivo de atrair capital, o que representaria um risco para investidores que se atentam apenas ao DY. Portanto, antes de escolher em qual ação investir, realize uma análise sólida e completa para reduzir riscos. Conclusão Quem pretende montar uma carteira de investimentos com foco no recebimento de dividendos deve não apenas aprender a calcular o dividend yield, mas, principalmente, saber interpretar esse indicador e incluí-lo em uma análise mais completa em conjunto com outros dados que contribuam para uma decisão mais assertiva. É importante acompanhar os fundamentos da companhia constantemente, para identificar métricas distorcidas e não cair em ciladas.

O que é Análise Técnica?

Análise técnica é um método usado por profissionais do mercado financeiro e investidores em geral para tentar prever o caminho dos preços e do fluxo de um determinado ativo financeiro, com uma lógica que estabelece probabilidades a partir de imagens, tendências e padrões consultados em gráficos ao longo do tempo. Por isso, ela também pode ser chamada de Análise Gráfica. Por meio da movimentação desses investimentos, que podem ser ações, contratos futuros, moeda, entre outros ativos, esses gráficos são formados. Com isso, os analistas gráficos conseguem definir certas repetições históricas que indiquem os próximos movimentos. E isso acaba sendo primordial para a tomada de decisão de compra ou de venda, ou melhor, de “entrada” e “saída”, como os especialistas falam no cotidiano. De forma geral, a Análise Técnica é usada principalmente para operações de curto prazo na Bolsa de Valores, pois os detalhes dos gráficos permitem tomar decisões rápidas que podem resultar em lucro ou prejuízo em questão de segundos, a depender do movimento do ativo escolhido.